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Comida da terra no meio do mato

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Faz pouco tempo que, depois de muitos anos, voltei ao Parque das Neblinas, localizado entre os municípios de Mogi das Cruzes e Bertioga, ao lado do Parque Estadual da Serra do Mar, no estado de São Paulo (115km da capital).

Esta área de 6,1 mil hectares, apesar de ter sido utilizada para extração de carvão por muito tempo e de ter dado lugar a uma fazenda de eucalipto para produção de papel e celulose, há pouco mais de duas décadas foi transformada em parque pelo Instituto Ecofuturo e atualmente é considerada Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica pela Unesco.

O parque abriga mais de 1.400 espécies animais (como a onça-parda e a anta) e espécies vegetais que vão desde a menor orquídea do mundo até árvores com mais de 100 anos, incluindo 11 espécies ameaçadas de extinção, como a palmeira juçara ou içara, a mais ameaçada delas.

Por meio de parcerias, são desenvolvidas no local pesquisas científicas, atividades de manejo sustentável dos recursos naturais e de turismo científico, vivências e oficinas de meio-ambiente para professores e estudantes.

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O PN preocupa-se também com a inclusão da comunidade à sua volta no processo de preservação. Todos os serviços prestados no parque (da monitoria à alimentação) são obtidos prioritariamente no município de Taiaçupeba, o mais próximo da reserva. É aí que chegamos ao meu ponto preferido: a comida – que também contribui para a sensibilização das pessoas sobre sua relação com a floresta.

Apesar de não estar incluído no valor do passeio, o (excelente) serviço de alimentação pode ser contratado para complementar qualquer uma das atividades escolhidas (os valores vão de R$ 15 a R$ 42). O cardápio é composto por receitas tradicionais da região e ingredientes naturais colhidos de forma consciente, preparados na hora com o amor das moradoras ali do lado. Como sempre deveria ser.

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Servidos ao redor do fogão a lenha, os quitutes contemplam o uso de frutos nativos como os da palmeira juçara e de cambuci, além de ingredientes de produtores locais como a taioba, queijos e geleias caseiros.

No cardápio, do café da manhã até o almoço completo (opção que inclui salada de verduras da época, carne vermelha, carne branca, arroz, feijão, farofa, acompanhamentos, sucos, água e sobremesa), tudo é cuidadosamente elaborado pela empresa local Natural da Mata, que recebeu, desde a sua criação, orientações de grandes nomes da gastronomia brasileira, como a banqueteira Mazzô França Pinto e o chef Alex Atala.

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No dia em que estive lá, fui recebida com cheirinho de café passado na hora e bolinhos de chuva quentinhos, além de um buffet composto por sucos naturais, pães, frios e bolos “de vó”, além do café com leite. Impossível não exagerar!

Após a trilha de pouco menos de três horas, com direito a parada para banho nas águas cristalinas do rio Itatinga, um brunch reforçado nos esperava. Para começar, bolinhos caipiras com massa de milho e recheio de taioba, servidos com um saborosíssimo molho rústico de pimenta e uma dose de pinga com cambuci. Depois disso, um banquete de salada com caldo verde e tortas muito bem recheadas de verduras, queijo e tomate e frango com legumes.

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Direto da natureza para a nossa mesa, uma comida saudável e preparada de forma 100% sustentável – bom para a gente, bom para o mundo. Amor em forma de comida, do jeito que eu mais gosto! <3

A duração das visitas e o valor varia de acordo com o tipo de passeio e o roteiro escolhido (caminhada, bicicleta, canoagem, vivência, expedição científica, observação de orquídeas, passeios autoguiados ou com monitores etc.).

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As visitas devem ser agendadas com pelo menos quatro dias de antecedência pelos telefones (11) 4724-0555/0556, pelo e-mail parquedasneblinas@ecofuturo.org.br ou pelo site www.ecofuturo.org.br. O parque funciona de terça-feira a domingo, das 8h30 às 16h e conta com estrutura de banheiros com chuveiros quentes.

É aquariana, curiosa, jornalista e tem uma infinidade de interesses — entre eles, a culinária. Não é chef (nem pretende ser) mas a necessidade de morar sozinha a fez experimentar a alquimia das panelas e descobrir que o fogão não é um bicho de quatro bocas.

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