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Setembro Sem Carne: tire a Amazônia do seu prato

O Dia da Amazônia é celebrado em 5 de setembro. E, na verdade, já faz algum tempo que não temos muito o que comemorar — precisamos aproveitá-lo para relembrar anualmente a sua importância para que sua preservação seja prioridade para todos.

A Amazônia é um dos patrimônios naturais mais valiosos de toda a humanidade e a maior reserva natural do planeta. Tem 5,5 milhões de km², sendo que 4,2 milhões deles estão dentro do território brasileiro e o restante se espalha por outros oito países: Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

Nas últimas semanas, o mundo todo tem falado muito sobre ela e por um motivo muito negativo: o índice de desmatamento em junho foi 80% superior ao mesmo período do ano passado. E, em vez de melhorar, as coisas só pioram: desde 2010 o país não registrava um mês de agosto com mais focos de queimadas do que a média histórica, já que a tendência vinha caindo (e em agosto daquele ano, o país enfrentava uma seca extrema, o que não acontece agora).

De acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o desmatamento na Amazônia brasileira quase dobrou no período entre janeiro e agosto de 2019 quando comparado a 2018. Foram 6,4 mil km² frente a 3,3 mil km². Os níveis vinham se mantendo estáveis nos últimos anos até que disparou a partir de maio.

Existem muitas teorias sobre o que ou quem está provocando as queimadas na Amazônia, mas o que é inquestionável é que elas existem e fazem parte do processo de limpeza das áreas que serão utilizadas para a pecuária ou agricultura, duas das maiores razões para o desmatamento da Amazônia ao lado da extração ilegal de madeira.

Aí você pode se perguntar: e o que eu tenho a ver com isso?

Segundo o estudo Apetite pela Destruição, publicado pela WWF, vastas áreas do planeta estão sendo transformadas em pastos e plantações de soja e outras monoculturas para alimentar principalmente vacas, bois, galinhas e porcos, os grandes favoritos em nossos pratos nas últimas décadas. Entre elas, a nossa floresta.

Por seu tamanho e relevância, a destruição da Amazônia afeta o equilíbrio climático de todo o mundo, uma vez que altera as chuvas no país e no restante da América Latina. Além disso, a devastação da floresta amazônica, que é um grande reservatório de CO2, também pode causar a liberação desse elemento para a atmosfera, acelerando o processo de aquecimento global.

A Amazônia pode não ser de fato o “pulmão do planeta”, mas ela é, sim, vital para o equilíbrio ecológico da Terra. Preservá-la é uma questão absolutamente indispensável para a estabilidade do clima do planeta e para o futuro — o nosso e o das próximas gerações.

Ok, mas não sou eu que estou colocando fogo na floresta. Como posso evitar?

Esta pergunta pode parecer difícil de ser respondida mas não é.

Atualmente, cerca de 60% das perdas da nossa biodiversidade são provocadas diretamente pelos nossos hábitos alimentares baseados principalmente em laticínios, carne e alimentos processados. Sem contar que a agropecuária é responsável por mais da metade das emissões dos gases do efeito estufa, que provocam o superaquecimento do planeta.

Apesar da Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendar o consumo diário de 44 a 55 gramas de proteína, em muitos países, esse número é muito maior. A população do Reino Unido, por exemplo, ingere em média 64 a 88 gramas, dos quais 37% são provenientes da carne.

Já passou da hora da gente se responsabilizar pelo que consome!

Precisamos ter consciência que o bife que chega no nosso prato foi um bezerrinho que muitas vezes nem consegue mamar na vaca senhora sua mãe porque a gente toma o leite dele. E que este bezerro precisou de muito pasto e de muita ração a base de grãos para crescer. Ou seja, você impacta o mundo com as suas escolhas — e eu também.

O planeta pede medidas drásticas mas a gente precisa pelo menos começar a mudar os hábitos.

É preciso rever o que colocamos em nosso prato. A maior parte da população brasileira não abre mão de comer a sua porção diária de carnes, mas para quê ficar sempre na carne, no frango e no peixe quando existe uma infinidade de vegetais tão bons ou até melhores?

Uma alimentação variada é muito mais interessante e nutritiva.

Reduzir o consumo de carne, especialmente a bovina, é uma das mudanças individuais mais significativas para a redução do desmatamento e da emissão de gases de efeito estufa, como demonstrou o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), que também lembrou que a Terra não aguenta mais uso e abuso dos solos.

No início deste ano, um relatório da revista científica Lancet alertou para a impossibilidade de alimentar dez mil milhões de pessoas em 2050 sem uma transformação significativa nos seus hábitos alimentares. E no que diz respeito à carne, isso significaria passar de um consumo diário de carnes vermelhas para passar a comê-las apenas uma ou duas vezes por semana.

Vejam bem, o meu objetivo aqui não é deixar de consumir carne, nem forçar ninguém a mudar, mas provocar uma reflexão sobre a real necessidade de um consumo tão alto de proteínas animais em nossa alimentação. Ao mesmo tempo, precisamos nos conscientizar que é nossa obrigação pressionar o governo e as empresas a repensarem a destruição ambiental como a única possibilidade viável — sabemos que não é, e que isso não vai durar muito mais tempo!

Nos últimos anos, o número de pessoas que aderem ao vegetarianismo tem aumentado cada vez mais mas…

…a boa notícia é que você não precisa virar vegano de um dia para o outro!

Entenda que a redução do consumo de carne não tem nada a ver com virar vegano ou vegetariano, mas com incluir uma variedade maior de alimentos em sua alimentação.

Ao mesmo tempo, você deixa de apoiar a indústria mais cruel de toda a cadeia industrial alimentícia, que é também a que mais impacta na poluição das águas, na destruição da camada de Ozônio, na degradação os solos, além de sustentar as monoculturas à base de agroquímicos e transgênicos para a produção dos grãos que alimentam os animais que serão abatidos.

Se você ainda não se convenceu, há mais argumentos: especialistas da área de saúde afirmam que dietas ricas em alimentos de origem vegetal estão associadas com menor risco de obesidade e surgimento de doenças como hipertensão, problemas cardiovasculares, diabetes tipo 2 e câncer.

Tudo bem, mas como posso começar a diminuir o consumo de carne?

Experimentar novas possibilidades é um super começo, além de ser uma delícia descobrir sabores e preparações. E estimular as crianças, desde cedo, a incrementar a alimentação com outros alimentos mais sustentáveis e tão (ou mais) saborosos quanto a proteína de origem animal.

Segunda Sem Carne é uma iniciativa que já acontece em diversos países, tendo apoiadores famosos como o eterno beatle Paul McCartney, e divulga receitas saborosas, dicas de nutrição, notícias e informações qualificadas a respeito das razões éticas, ambientais e de saúde para passar essa ideia adiante.

Como uma das nossas motivações aqui no CP2ou1 é incentivar a variedade de alimentos na mesa assim como novas descobertas de paladar, é super óbvio o nosso apoio ao projeto. Desde 2013 as segundas-feiras são sempre dedicadas às receitas vegetarianas aqui no blog, para mostrar que é possível ter refeições nutritivas e gostosas sem a proteína animal, e convidar as pessoas a tirarem a carne do prato pelo menos uma vez por semana. Já são mais de 360 receitas sem carne!

Mas eu quero fazer ainda mais por você: um mês todinho de delícias preparadas com vegetais.

Aproveitando as discussões em torno das queimadas na Amazônia e para contribuir um pouco mais com esta causa, me propus a aderir ao Setembro Sem Carne. É por isso que me comprometo a compartilhar ainda mais dicas, fotos e receitas de pratos sem qualquer tipo de proteína animal nos próximos dias, aqui e nas redes sociais (já nos segue no Instagram e no Facebook?). Quem sabe assim vocês não se animam a também experimentar um pouquinho mais?

Vamos então às primeiras sugestões.

Para começar, vale a pena ler as Dicas da Nutri sobre vegetarianismo: É possível manter-se saudável com uma alimentação sem carne? Ela esclarece dúvidas e dá algumas orientações para quem pretende se arriscar por este terreno.

Para botar a mão na massa, navegue pelas nossas já famosas 75 receitas vegetarianas para você nem sentir falta de carne, as 35 receitas deliciosas para a #SegundaSemCarne e as 35 receitas veganas fáceis e deliciosas. São seleções especiais de comidinhas sem carne para incrementar ainda mais o cardápio.

Se você é da turma que acha que comida saudável e ainda mais vegetariana é muito cara, saiba que comprando frutas e verduras da estação você gasta menos, leva ingredientes mais saborosos para casa e ainda diversifica o cardápio. Em setembro, aposte em pratos com ervilha, ervilha torta, tomate, abobrinha italiana, alcachofra, abóbora, beterraba, aspargos, jabuticaba e maçã.

E mais uma dica: em São Paulo, é possível comprar alimentos orgânicos a preço de custo no Instituto Chão (clique AQUI para ler mais sobre isso). Em outros lugares do país, clique AQUI para encontrar as feiras de produtos orgânicos mais próximas de você.

Para fechar, uma prática que todo mundo pode adotar a partir de hoje, de agora: evitar o desperdício. Com tanta gente passando fome por aí, não dá pra jogar comida fora com a consciência tranquila, né? Planeje melhor suas refeições, compre somente o necessário, aproveite ao máximos os alimentos, reuse as sobras congelee o que não for consumir logo.

 

Fontes: Notícias Uol, Sociedade Vegetariana Brasileira, Conexão Planeta, Só Notícia Boa,

É aquariana, curiosa, jornalista e tem uma infinidade de interesses — entre eles, a culinária. Não é chef (nem pretende ser) mas a necessidade de morar sozinha a fez experimentar a alquimia das panelas e descobrir que o fogão não é um bicho de quatro bocas.

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