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A Casa do Porco, do chef Jefferson Rueda, em São Paulo

A proposta do chef Jefferson Rueda em sua A Casa do Porco, que já consta na lista dos 50 Melhores Restaurantes da América Latina, é exaltar a beleza e o sabor do porco da cabeça ao rabo (literalmente) nos mais diversos pratos. São criações inovadoras como o temaki de carne de porco curada ou preparações tradicionais como o leitão defumado e assado por longas oito horas na cozinha aberta do espaço.

Mas tudo isso começa bem antes, na criação dos porcos que o chef vai buscar no interior de São Paulo. Eles são criados soltos, engordados até 100kg e abatidos especialmente para que sejam transformados em, por exemplo, linguiça, pancetta, torresmo, ceviche e na porcopoca, o já clássico tira-gosto. Até o sangue é utilizado, virando uma morcilla deliciosa (afinal #sangueéingrediente).

E a fama d’A Casa do Porco é tamanha que as filas são sempre enormes, independente do dia ou do horário em que se chega na casa — por isso, já se programe para alguma espera (que chega a ser de mais de 2h nos momentos de pico). De qualquer forma, garanto que ela vale MUITO a pena.

Enquanto aguardávamos a mensagem no celular acompanhados da porção de porcopoca, uma espécie de pipoca de porco feita com a pele do porco desidratada e frita, pedimos pelo balcão de Comida Rápida a cerveja da casa, a session IPA Horny Pig, da Blondine (escura, forte e encorpada, uma delícia!).

Ao finalmente conseguirmos sentar à mesa, optamos, claro, pelo menu degustação “De tudo um porco” (sequência em 8 etapas com os principais itens do cardápio de entradas mais o prato principal). E já começa bem com embutido de cabeça de porco e presunto cozido Rueda, acompanhados de pão da casa, mostarda rústica com tucupi, picles em conserva e compota de cebola caramelizada com bacon. Tudo preparado lá mesmo.

A gente quase nem termina de se deliciar com o couvert e já recebe o tartar de porco com tutano e cogumelo. Logo depois, chega à mesa o sushi de papada com tucupi preto e alga nori. Apesar da estranheza inicial, gostei bastante da ousadia do chef.

A costelinha de porco com arroz e algas marinhas servida na folha de alface romana reconforta os ânimos após a primeira surpresa. Em seguida, é o momento de degustar a sanguiça com tangerina e brotos. E o mais interessante é sentir todas as nuances de sabores que são ressaltados a cada porção, mesmo quando somos surpreendidos com uma preparação que talvez não seja a nossa preferida — e não é que eu adorei a tal da linguiça de sangue?

Pão no vapor com barriga de porco, cebola roxa e pimenta fermentada vem na sequência, quando a gente já acha que não dá conta de mais nada. É então que chegam os croquetes de porco com a mostarda da casa e o irresistível canapé de virado à paulista (porco com feijão, couve, linguiça e ovo de codorna estalado).

Para encerrar os petiscos, o já clássico torresmo de pancetta com goiabada, que derrete seu coração enquanto desmancha na boca. Pode até parecer clichê, mas esta seleção de delícias chega a emocionar quem gosta mesmo de comida boa.

Então, quando a gente pensa que não tem mais como se surpreender, é hora do gran-finalle, com um banquete composto pelo Porco San Zé, um senhor leitão que chega desmanchando à mesa ladeado de tutu de feijão, tartar de banana, salada de couve e um incrível farofa de cebola.

Por essa riquíssima experiência gastronômica, pagamos uma média de R$ 100 por pessoa (pois os pratos podem variar), fora as bebidas e o serviço. Não é barato, mas quer saber? Se a gente pensar que com isso compra 4 Big Macs, cada centavo compensa e muito!

Se preferir, as opções do cardápio d’A Casa do Porco podem ser pedidas individualmente. E para acompanhar, há uma grande variedade de coqueteis (deliciosas caipirinhas incluídas) e cervejas. Já quero voltar para provar o Ramén de Porco e o misto quente do chef!

Um híbrido de bar e restaurante bem descontraído e aconchegante, A Casa do Porco conta também com um mercado onde são vendidos o pão da casa e alguns embutidos, além de souvenirs.

E, para quem tem pressa ou não tem paciência de esperar a fila andar, é servido no balcão externo d’A Casa do Porco, a partir das 11h, um sanduíche de porco desfiado no pão ciabatta com maionese de mostarda, cebola defumada, guacamole e tomate (R$ 17,00).

SERVIÇO:
A Casa do Porco
Rua Araújo, 124 — Centro — São Paulo/SP
Telefone: (11) 3258-2578
Aberto de segunda a sábado das 12h à 1h. Domingo, das 12h às 17h30.
http://www.facebook.com/acasadoporcobar

* Preços de agosto/2017.

É aquariana, curiosa, jornalista e tem uma infinidade de interesses — entre eles, a culinária. Não é chef (nem pretende ser) mas a necessidade de morar sozinha a fez experimentar a alquimia das panelas e descobrir que o fogão não é um bicho de quatro bocas.

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