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Quanto ganha um blogueiro de Gastronomia?

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Uma pergunta que frequentemente aparece em conversas entre amigos ou com familiares um pouco mais distantes do núcleo pai/mãe/irmã é essa: “Mas quanto você ganha com seu blog de receitas?” E a resposta nem sempre convence quem questionou. Por isso resolvi escrever um pouco mais sobre este assunto e aproveito para dar algumas dicas a quem se interessa pelo tema ou está começando já com a ambição de virar um blogueiro “rycoh”. 😛

Ter um blog, para mim, nunca foi um emprego, muito menos um trabalho remunerado, e o que eu recebo tem muito mais um valor sentimental do que propriamente em espécie.

Explico: até onde sei, não há uma tabela de valores e nem renda garantida para qualquer tipo de blogueiro. Apesar da onda dos “pro-bloggers” (ou blogueiros profissionais), eles são a minoria absoluta nesse imenso universo virtual. O Technorati estima que existam perto de 200 milhões de blogs no mundo todo e que, a cada dia, surgem cerca de 120.000 novos blogs*. Ou seja, é preciso MUITO trabalho, uma boa dose de sorte e algum investimento para que sua página desponte entre tantas outras.

 

_ Quanto CUSTA ter um blog?

Antes de começar a falar sobre quanto ganha um blogueiro de gastronomia, vamos falar sobre quanto se gasta para virar um blogueiro.

Teoricamente, pode-se criar um blog de forma gratuita em diversas plataformas (WordPress e Blogger são as mais comuns). Para isso, basta apenas ter uma conexão de internet e criar login e senha, definir o nome do blog e escolher um entre os modelos de layout padrão. A partir disso, é começar a escrever e publicar; pronto: “habemus blogueirus“!

A questão é que, com o tempo, a gente quer deixar o nosso “cantinho” com a nossa cara. Se você não entende nada de design e de programação ou não tem um namorado/irmão/amigo que saiba, vai precisar desembolsar alguns Reais — e o valor vai depender do que você pretende fazer e de quem fará o trabalho.

Aí, com o blog lindo do jeitinho que você sempre quis, você não vai mais querer o seu endereço com o final .wordpress.com ou .blogspot.com, por exemplo. Além disso, ter um domínio próprio passa a impressão de algo mais profissional e ainda evita que outras pessoas o registrem antes de você — o que pode ser uma enorme dor de cabeça dependendo do alcance das suas publicações. O custo de um domínio geralmente varia entre R$ 18 e R$ 50 por ano, dependendo da extensão (.com, com.br, .net, .org etc.).

É possível continuar com o blog hospedado gratuitamente na plataforma escolhida, mas por serem gratuitas, elas costumam impor algumas limitações de edição (inclusive de layout), colocação de banners de publicidade etc. Para ter controle total do seu site, você vai precisar contratar hospedagem em um servidor e o preço pode variar muito de acordo com a empresa e também com as necessidades do site (como tamanho total dos arquivos e quantidade de acessos, por exemplo).

E na continha dos custos relativos à manutenção de um blog, precisamos incluir também alguns gastos como o seu tempo dedicado a ele, os produtos/serviços ou equipamentos que adquire para produzir conteúdo, os cursos que realiza…

Resumindo: ter um blog pode não custar nada, mas também pode custar muito dependendo de como você pretende levar isso.

 

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_ Como ganhar dinheiro com um blog?

Bom, depois de colocar na ponta do lápis todos os custos para se ter um blog, vamos ao retorno que esse investimento pode render. É possível, sim, que um blog mediano consiga alguma receita, mas isso ainda depende muito da quantidade de acessos que ele recebe. Para isso, existem algumas possibilidades:

. BANNERS PUBLICITÁRIOS
Normalmente o blogueiro associa-se a uma rede que concentra anunciantes para preencherem os espaços em banners distribuídos pelas páginas (um dos mais comuns é o programa Google Adsense). Aí, de acordo com as visualizações dos anúncios ou dos cliques recebidos neles, esta rede transfere um valor ao dono do site. Este valor pode variar bastante, mas adianto que é bem baixo: a média não chega a 20 centavos, por exemplo, e o pagamento acontece apenas após você conseguir uma quantia mínima (geralmente é de R$ 50 ou R$ 100).

. PROGRAMAS DE AFILIADOS
Alguns grandes sites de e-commerce oferecem programas de afiliados em que os blogueiros se cadastram, passam a divulgar links para seus produtos e recebem uma comissão no caso de venda efetivada. Um dos mais famosos aqui no Brasil é o Afiliados.com, que oferece de 2% até 15% de comissão sobre o valor dos produtos de lojas como Americanas.com, Submarino e Shoptime.

. PUBLIPOST OU PUBLIEDITORIAL
Outra possibilidade de obter algum retorno financeiro por meio de publicidade são os famosos “publiposts” ou “publieditoriais”. São publicações patrocinadas por empresas que consideram o blogueiro e seu público relevantes para a marca, que paga para que ele fale sobre seu produto ou serviço.

Esta é uma das questões mais controversas da blogosfera: há quem defenda e há quem apedreje esse tipo de publicação. Mas uma das questões principais é a obrigatoriedade de identificação clara de publicidade para que o leitor não o confunda com uma postagem comum.

O Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), inclusive, já abriu investigações sobre blogueiras de moda para esclarecer suspeitas de publicidade velada e afirma que “blogs não podem tentar disfarçar ou fazer com que o consumidor não perceba que se trata de propaganda comercial”.

Não há uma tabela padronizada e os valores dependem muito do alcance do blog e também de quem faz — cada um estabelece seu preço e as empresas que concordam pagam por ele.

Aqui no CP2ou1, selecionamos criteriosamente as propostas comerciais que aparecem e somente aceitamos publicar qualquer tipo de publipost que esteja relacionado aos temas abordados e que sejam realmente relevantes para vocês leitores (até hoje foram poucas publicações, apesar das diversas abordagens). Além disso, não aceitamos a publicação de textos prontos e nos reservamos o direito de publicar as opiniões sinceras sobre o produto ou serviço, sempre com a devida identificação (selo abaixo).

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E sim: é óbvio que eu gostaria de ganhar mais. Afinal, todos os custos envolvidos precisam sair de algum lugar e, querendo ou não, o retorno financeiro é sempre positivo como recompensa de um trabalho que é bem percebido pelo mercado e também como incentivo para que a qualidade de conteúdo seja mantida — e precisamos garantir o nosso leitinho condensado no fim do mês, né? 😉

. VENDA DIRETA DE PRODUTOS (LOJINHA VIRTUAL)
Muitos blogueiros complementam sua renda com a venda de itens relacionados aos temas do seus blogs. Alguns sites oferecem (gratuitamente ou mediante pagamento de mensalidade) um sistema para exibir os produtos, efetuar compras e pagamento. Ao blogueiro sobra a tarefa de gerenciar o estoque, embalar o produto e providenciar a entrega, seja pelos Correios ou por serviços de motoboy, por exemplo.

. VENDA DE SERVIÇOS
Alguns blogueiros, dependendo do nicho em que atuam e da sua formação profissional, começam a prestar alguns tipos de serviços como consultorias, assessorias, palestras, aulas e afins. Neste caso, o blog passa a ser, também, uma espécie de currículo ou “vitrine” virtual.

 

_ Retorno não financeiro também é positivo!

Apesar de sempre existir essa curiosidade sobre o lado financeiro de se dedicar a manter um blog, para mim o que realmente importa é o retorno que vem das diversas outras formas. O CP2ou1 só sobrevive até hoje porque eu o faço por amor, porque realmente gosto e porque isso me deixa feliz — curto cada momento da preparação das receitas, adoro montar os pratos para deixar a comida bonita, fico orgulhosa quando consigo boas fotos e amo ver um bom post pronto. Isso realmente me alimenta!

Outro retorno incrível que eu recebo por meio do blog é o carinho dos leitores que foram aparecendo e ficando ao longo desses 2 anos e meio. É uma relação gostosa, uma troca sadia sem nenhum interesse monetário.

Adoro saber que minhas dicas serviram para que a alimentação tenha melhorado em muitas famílias e que de alguma forma influenciei alguém que nunca tinha feito nem ovo frito a começar a se arriscar na cozinha. São tantas as histórias que ouço que não consigo realmente parar quando, por qualquer motivo que seja, o desânimo se aproxima.

 

_ Vamos agora ao que interessa? Quanto ganha um blogueiro de Gastronomia, afinal?

Depois de toda essa reflexão, vamos à questão prática. Os outros eu não sei, mas tirando brindes e convites para eventos (alguns sensacionais como o encontro com o Buddy Valastro e com a Palmirinha, e o jantar no céu , por exemplo), eu ainda ganho bem pouco. E esse pouco serve basicamente para ajudar a cobrir os gastos que tenho.

A minha percepção sobre o blog é que há, sim, algumas boas oportunidades, mas eu prefiro não mercantilizar exageradamente este cantinho que me é tão querido. Eu me dedico tanto para deixá-lo bonito e bem feito que não acho bacana poluir as páginas com milhares de banners e pop ups de anunciantes aleatórios. Não acho legal ficar o tempo todo falando sobre produtos nos quais não acredito ou nunca usaria só porque as empresas pagariam bem. E não acho justo ficar trocando meu trabalho e espaço aqui por kits de produtos que têm valor ínfimo às empresas que os produzem.

 

_ Conclusão: o que fazer para ganhar dinheiro sendo um blogueiro de Gastronomia?

O primeiro passo para começar a ganhar dinheiro com um blog de Gastronomia é esquecer do glamour que existe no mundo das blogueiras de moda que pipocam por aí. A realidade dos foodbloggers é MUITO diferente. São poucos os blogueiros de Gastronomia que conseguiram se destacar e hoje conseguem ter uma boa renda mensal.

Para conseguir visibilidade e credibilidade, qualidades indispensáveis para um blogueiro de sucesso, é preciso trabalhar bastante. Dedique-se a produzir conteúdo inédito, de qualidade, criativo e relevante. Mantenha uma certa periodicidade (não adianta postar hoje e depois só daqui a três meses e achar que a mágica vai acontecer). Conheça seu público e desenvolva uma relação transparente e de confiança com seus leitores. Divulgue o seu trabalho de forma interessante e íntegra. E procure se atualizar continuamente sobre os temas que deseja abordar. Não sei se esta é a receita do sucesso, mas é assim que tenho trilhado meu caminho.

Ninguém ganha dinheiro de graça, tenha sempre isso em mente. E lembre-se: somente quem realmente leva o blog a sério consegue se destacar.

Boa sorte (ela também ajuda a abrir algumas portas)! 😉

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*Fonte: Ferramentasblog
Fotos: Scott Foldstein, Lumina e Jovo_Jovanovic (Stocksy)

É aquariana, curiosa, jornalista e tem uma infinidade de interesses — entre eles, a culinária. Não é chef (nem pretende ser) mas a necessidade de morar sozinha a fez experimentar a alquimia das panelas e descobrir que o fogão não é um bicho de quatro bocas.

8 Comments

  • carla colombo

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    Muito bom! Agora só encaminhar o link pra qm acha que a vida é bela hahaha

  • Luciana Carpinelli

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    Né?
    As pessoas veem essa onda de luxo e glamour da vida das blogueiras-celebridades e acham que a gente esconde o pote de ouro na despensa… só não sabem que há muito sangue (ah, as facas), suor (ah, o forno!) e lágrimas (ah, as cebolas!) envolvidos. 😉

  • Gustavo H. Takatsuka

    /

    É… seu post está perfeito! Realmente apenas a nata consegue uma boa renda, mas nem por isso devemos imitá-los, como muitos pensam. Originalidade é tudo! Parabens pelo seu blog!

  • Luciana Carpinelli

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    Obrigada, Gustavo.
    Essa vida de blogueiro de gastronomia não tem glamour, é muita ralação. Por isso tem que gostar mesmo, né? :)
    Grande abraço e sucesso!

  • Raul

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    Muito boa a matéria, ela desmistifica a informação de que é fácil ganhar dinheiro pela internet.

    Realmente nem tudo é glamour no mundo da internet. Qualquer tipo de negócio seja pela internet ou não vai exigir muito conhecimento, dedicação e foco de sua parte para que se tenha sucesso e ainda assim será um grande desafio se ter sucesso para qualquer empreendedor…

    Mas tudo pode ficar mais fácil… Existem sim boas oportunidades ainda nos dias de hoje, O Brasil apesar do atraso gigante é ainda um grande mar de oportunidades…

    Temos que nos cercar de conhecimento, da tecnologia e das ferramentas disponíveis que nos facilitam muito a vida hoje… Afinal só podemos fazer o que sabemos fazer !

    Para quem deseja iniciar um novo negócio ou mesmo já tem o seu negócio, existem hoje, os infoprodutos dos programas de afiliados hotmart, monetizze e eduzz, que ensina as pessoas a gerir seus próprios negócios e/ou trabalhar corretamente nos mais diferentes nichos de mercado.

    Para quem não sabe, não há a necessidade de se ter um produto próprio para se trabalhar pela internet, existem milhares de produtos prontos nos mais variados segmentos de mercado com os quais uma pessoa pode trabalhar como afiliado, algo parecido como um representante e ganhar popudas comissões por cada venda realizada por sua indicação. Você pode iniciar um negócio só seu do zero, trabalhar com o que gosta, sem precisar de um alto capital para isso e se tiver sucesso e se dedicar ainda ser bem remunerado por isso! Parece bom não é mesmo?

    Eu trabalho com marketing digital desde 2015 e a cada dia o meu resultado é melhor. Obrigado pela oportunidade de poder comentar sobre um assunto que eu amo falar, fazer e que hoje é a minha vida!

    Abço grande e sucesso ao blog!

  • Luciana Carpinelli

    /

    Oi, Raul. Eu que agradeço pelo seu comentário super pertinente.
    Abraço e sucesso também para você. :)

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