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Zwiebelkuchen (torta alemã de cebola)

Jpeg

No mês passado fez exatamente 5 anos que cheguei de mala e cuia na Alemanha. Saindo de uma crise séria de depressão e ansiedade, não sei de onde tirei tanta coragem de deixar emprego, minha São Paulo querida, amigos e todo amor da família para ir morar em um país estranho sem falar mais do que meia dúzia de palavras (literalmente) do idioma local e sem nenhum conhecido por perto para pedir colo caso algo desse errado.

Berlim me recebeu fria e cinzenta mas me senti tão em casa que foi assim até o dia de empacotar tudo e voltar com uma bagagem incrível de experiências riquíssimas e histórias para contar.

Cheguei exatamente no início do outono de lá, época do ano em que o federweißer, o vinho novo alemão, está bombando. É um vinho bem docinho e gaseificado, feito com uvas brancas, e que está no início da sua fermentação (por isso é conhecido como neuer wein, ou vinho novo). E ele geralmente é acompanhado de uma grande fatia quadrada desta torta de cebolas.

É incrível como em qualquer lugar nesta época você encontra esta dupla, que era uma das opções mais baratas na geladeira dos supermercados em que ficavam os combos de lanches e sanduíches com alguma bebida. E as pessoas realmente aproveitam ao máximo a temporada que acaba no fim de outubro — pena que eu só fui descobrir isso quando mais para o fim do ano resolvi procurar o tal vinho para comprar e não tinha mais para vender. 🙁

Nunca mais tinha sequer pensado nessa torta, mas ao rever as memórias do Facebook com as fotos da minha chegada na “doitchlândia”, bateu uma saudade danada dela. Procurei algumas receitas e acabei encontrando esta, que adaptei de acordo com o que eu lembrava, e ficou simplesmente perfeita. Só faltou o vinho especial para completar a nostalgia!

Zwiebelkuchen (torta alemã de cebola)

Para a base de massa crocante:
1 e 1/2 xícara de farinha de trigo
1 colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de sal
100g. de manteiga
3 a 5 colheres de sopa de água

Para as cebolas douradas com bacon:
50g. de bacon em cubinhos
500g. de cebola (2 cebolas grandonas) em rodelas
Sal e pimenta do reino a vontade

Para o recheio cremoso:
200g. de creme de leite
2 gemas
2 colheres de sopa de queijo parmesão ralado
Sal e pimenta do reino a vontade

Misture a farinha com o fermento e o sal, adicione a manteiga e vá amassando com as pontas dos dedos até obter uma farofa. Aos poucos, vá acrescentando as colheres de água somente para conseguir uma bola de massa (pode não ser necessário usar as 5 colheres). Cubra e deixe na geladeira por uns 10 minutos.

Enquanto isso, aqueça uma frigideira ou panela e coloque o bacon para soltar a gordura. Quando começar a dourar, junte a cebola, salpique um pouquinho de sal e pimenta e mexa. Espere a cebola murchar, mexendo somente de vez em quando.

Com a massa, cubra o fundo de uma assadeira quadrada ou retangular média (a minha tem 22cm. x 22cm.), deixando as laterais com cerca de 2cm. de altura. Faça alguns furos com o garfo no fundo da massa e leve para assar no forno preaquecido em 250°C por cerca de 15 minutos ou até dourar um pouco.

Em uma tigela, misture o creme de leite com as gemas e o queijo ralado e tempere com sal e pimenta do reino.

Quando as cebolas estiverem começando a dourar, desligue o fogo e dê mais uma mexida, para distribuir bem os pedacinhos de bacon. Reserve.

Cubra a massa preassada com o creme e espalhe a cebola com bacon por cima. Se quiser, pode misturar as cebolas ao creme, mas eu sempre comi essa torta lá na Alemanha com a cebola por cima, como fiz.

Leve ao forno preaquecido em 180°C por uns 35 a 40 minutos, ou até que o creme esteja firme. Sirva em seguida, em grandes fatias. Esta torta serve 4 pedaços médios.

Se for possível, acompanhe com o federweisser, o vinho novo alemão. 🙂

É aquariana, curiosa, jornalista e tem uma infinidade de interesses — entre eles, a culinária. Não é chef (nem pretende ser) mas a necessidade de morar sozinha a fez experimentar a alquimia das panelas e descobrir que o fogão não é um bicho de quatro bocas.

6 Comentários

  • ANTONIO CESAR AMORA ALIANDRO

    /

    Luciana Carpinelli
    Acho um tremendo egoísmo uma pessoa criar um blog, postar na Internet e não deixar que os leitores copiem os artigos. A Internet é pública e no momento em que alguém se dispõe a colocar coisas nela, passa a dar oportunidade que todos usufruam disso, claro, sempre mencionando a origem das matérias. Agora, publicar e não dar essa oportunidade é não deixar que as pessoas compartilhem das ideias e possam usar essas matérias. Uma pena pois seu blog é maravilhoso, bem cuidado, inteligente, muito bem escrito, didaticamente perfeito, com fotos incríveis, com matérias muito interessantes e bem cuidadas. Em todo caso fica aqui minha crítica, construtiva, é claro.
    Gostaria de me inscrever para receber as novidades. Mas para quê? Ver na vitrine os doces e não poder comer???
    Um abraço e parabéns pelo esforço e trabalho!!!
    Antônio César

  • Luciana Carpinelli

    /

    Antonio Cesar, primeiramente agradeço pelos elogios. Muito obrigada.
    Mas sinceramente não consigo entender como você pode classificar como um “tremendo egoísmo” o fato de eu preparar todas estas mais de 1500 receitas, fotografá-las, editar as fotos, escrever atenciosamente o passo a passo para que fique muito claro, editar e revisar o texto e divulgar este material. A internet é pública, sim, mas isso não significa que o conteúdo produzido é de domínio público e que cada um pode fazer o que quiser com ele. Eu me disponho a compartilhar o que sei para quem quiser aprender, sem cobrar nem um centavo por isso. E apesar disso sou considerada egoísta? Realmente não entendo.
    No blog disponibilizo diversas formas para que o conteúdo seja compartilhado ou então impresso. Há ainda a opção de copiar as receitas para um caderno, como inúmeras pessoas fazem. Não há nenhuma restrição nesse sentido!
    Agora sim, bloqueio e continuarei bloqueando a cópia não autorizada do meu trabalho pois realmente dá muito trabalho para fazer (e eu inclusive gasto dinheiro todos os meses para manter esta quantidade enorme de material on line para que qualquer um possa acessar quando quiser e gratuitamente). Sabe por que faço isso? Pois são poucas as pessoas que têm o bom senso de pedir autorização e creditar o material quando o utilizam — pelo que entendi, você mesmo o faria sem ao menos me comunicar, certo? E, pior ainda, há outras tantas que usam da má fé para ganhar dinheiro com o material que eu disponibilizo sem ganhar nada. Você acha isso justo? (Por favor leia este post para entender melhor o que estou falando: http://www.cozinhandopara2ou1.com.br/2016/02/23/precisamos-falar-sobre-copia-reproducao-compartilhamento-e-plagio/)
    Pois então peço que você repense seus conceitos.
    Você pode se inscrever para receber as atualizações e terá acesso gratuito e 100% irrestrito a tudo o que eu publicar (a única coisa que cobro em troca disso é o respeito pelo meu trabalho e minha dedicação em divulgar este conteúdo). Mas realmente não liberarei a reprodução do meu trabalho gratuitamente.
    E, para provar os doces, você mesmo pode prepará-los em casa — afinal, este é o objetivo primordial na divulgação das minhas receitas. 🙂
    Grande abraço e espero que reflita sobre suas colocações. Ser chamada de “tremenda egoísta” realmente me machuca.
    Luciana.

  • CozinhaeBreja

    /

    Luciana, esta de parabéns pelo post e muito mais pela resposta ao comentário ridiculo que infelizmente temos de responder.
    Boa sorte e continue assim, irei testar a torta que me deu agua na boca.

  • Luciana Carpinelli

    /

    Obrigada pelo apoio, realmente é difícil se manter motivado nesse ambiente cruel que é a internet. Mas seguimos fazendo a nossa parte da melhor maneira, né?
    Vou dar uma olhada lá no seu blog, acho que te sigo no Instagram. 🙂
    Abraço e volte sempre!

  • Danielle Sant’Anna

    /

    Oi, Luciana! Tudo bem?

    Eu fiquei triste com esse comentário ali de cima, então eu imagino a sua reação…

    Deixa eu te contar uma história bem bonita então.

    Eu sempre odiei cozinhar, também achava que o fogão era um monstro, hehe. e sempre tive minha irmã e minha mãe cozinhando super bem em casa. Então… Para que me aventurar, né? 

    Até que eu sai de casa, precisei me virar e não sabia NADA. rsrs. O que me salvou? O que me ensinou o básico? O que me motivou a fazer receitas diferentes?

    Seu blog!!

    Recebo as notificações por email, te sigo no instagram, pergunto nos comentários quando tenho dúvidas e sou respondida com atenção e carinho. Parabéns pela sua dedicação a esse espaço, ao cuidado com as receitas, ao trabalho com as fotos… Só tenho elogios! 

    E vou te falar? Nunca tinha percebido que não dava para copiar os textos do blog. hahahaha. Eu dou print do navegador e salvo as receitas nas minhas imagens.

    Tenho um catalogo ali, sempre que vou cozinhar levo o celular para cozinha e vou acompanhando. rsrs

    Obrigada por esse trabalho lindo, que me ensinou tanto e me fez descobrir uma paixão. Sim, hoje cozinhar é um lazer e um prazer!

    E é claro que vou testar essa torta de cebola JÁ! 😀

    Muitos beijos! 

    Obs: ADORO que a temática seja cozinhando para 2 ou 1, quantidade perfeita! Não fica sobraaaando comida por vários dias. Rsrs.

  • Luciana Carpinelli

    /

    Dani, você não tem ideia de como este seu comentário me deixou feliz. Sério mesmo, esse tipo de retorno inunda meu coração de alegria e é exatamente isso o que me motiva a cada dia, mesmo diante de atitudes que machucam e desanimam, a continuar e acreditar que estou sim fazendo a minha parte para contribuir para um mundo mais saudável e gostoso.
    Obrigada mesmo, do fundo do coração! E espero que minhas receitinhas continuem alimentando também o seu coração, para que você volte sempre e sempre.
    Grande beijo e mais uma vez obrigada <3

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