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Cozinha afetiva e seus benefícios

Todo mundo sabe que, hoje em dia, vivemos na correria. É comum “não termos tempo” para fazer determinadas coisas, não é mesmo? Junto com essa tendência de comportamento, eu acrescentaria mais uma: a busca por objetivos inatingíveis, e isso vale para estilo de vida, padrões corporais e hábitos alimentares também.

E o que isso quer dizer? Basicamente que o tipo de corpo que estamos nos baseando é uma foto de rede social, o estilo de vida da moda é patrocinado por empresas, e os hábitos alimentares são compostos de diet, light, low e free.

Tudo isso que foi citado acima, olhando de uma forma bem prática, simplesmente não existe. Aliás, existe, para poucos e sempre vai ter os seus “poréns”. Posso postar que estou comendo uma salada, mas a sobremesa eu deixo para os bastidores.

O quanto correr atrás destes padrões não está nos deixando cada vez mais vazios e infelizes? Cada vez que consumimos algo sem açúcar, sem sal e sem gordura que, na nossa cabeça, teria um sabor e na verdade tem outro, nos frustramos. Isso gera diversos sinais negativos para o nosso cérebro e várias consequências ruins para o corpo.

Pois bem, e o que podemos fazer para fazer um movimento contrário a esse? Já foi estudado que quando mandamos sinais positivos ao nosso cérebro, ao fazer uma refeição, por exemplo, a tendência é comermos menos. Isso porque o nosso corpo entende que está tudo bem, e que ele pode consumir apenas o necessário. Por outro lado, tudo que é restrito, proibido e rotulado como ruim pode gerar sentimentos de tristeza, raiva e frustração, desencadeando uma relação conturbada e aumentando a chance de perda de controle.

Descobrir e explorar a sua cozinha afetiva é uma ótima forma de mandar sinais positivos ao cérebro.

A cozinha afetiva nada mais é do que uma receita, preparação, ingrediente, situação, aroma ou sabor que remeta a um sentimento bom. Pode ser relacionado à sua família, seus amigos ou colegas de trabalho, por exemplo. Pode ser ainda um objeto! Uma garrafa térmica, uma colher de pau… A cozinha afetiva é algo muito pessoal e não tem certo e errado. Vai de cada um.

É uma forma de termos amor, conforto e nostalgia. Claro, não estou falando de basear a sua alimentação cem por cento no afeto, até porque isso não seria sustentável em termos de saúde, uma vez que preparações afetivas geralmente são mais calóricas, e possuem mais ingredientes como sal, açúcar e gordura. E tudo bem. Justamente porque isso vai ser apenas uma parte da sua vida alimentar. É totalmente possível achar um equilíbrio entre a sua alimentação do dia-a-dia e a inclusão de fatores afetivos.

E os benefícios da cozinha com afeto foram citados acima: a felicidade tem efeitos maravilhosos no nosso cérebro e, consequentemente, no nosso corpo como um todo. E vale a reflexão: o que você está fazendo hoje em relação ao seu corpo, estilo de vida e comportamento alimentar está te deixando mais feliz ou mais frustrado?

Para quem ainda não entendeu completamente o conceito de cozinha afetiva, recomento assistir a cena maravilhosa do filme “Ratatouille”, a qual o acinzentado crítico gastronômico Ego come o prato elaborado pelo simpático ratinho Remi e, rapidamente, sua mente volta para a infância, lembrando de um dia em que, com o joelho machucado, sua mãe o chama à mesa e oferece com um prato de comida, no caso, o Ratatouille. Ah, que delícia. 🙂

Agora, vamos ao desafio! Como resgatar a sua cozinha afetiva?

Você pode: buscar livros de receitas na família, ir à lugares que tenham ingredientes diferentes como feiras livres e mercados municipais, muitas vezes esquecidos no dia-a-dia.

E ainda, proponho outro desafio: como a sua cozinha pode ser a cozinha afetiva de alguém. E, veja bem, pode ser qualquer coisa, desde um ovo cozido até um prato elaborado.

Como diz aquela frase que se espalhou pelas redes sociais: cozinhar é, sim, uma forma de amar.

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Raquel Labonia
 é uma nutricionista completamente apaixonada pelo que faz e com intensa e incansável vontade de fazer a diferença no mundo. Motivada por essa inquietude, em 2015 criou a WellMove (abreviação de Wellness Movement), que representa um Movimento Pelo Bem-Estar em seu sentido mais amplo. Estar bem é a harmonia entre o nosso físico, mental e também o ambiente em que vivemos.  Hoje, a WellMove se tornou uma Consultoria em Nutrição e Bem-Estar atuante em diversas áreas, que trabalha com projetos de qualidade de vida, sustentabilidade, comunicação e marketing nutricional e consultas particulares em consultório.

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